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  • Herpes-zóster, a doença causada pelo vírus da catapora que pode ser ativada pelo estresse

    Herpes-zóster, a doença causada pelo vírus da catapora que pode ser ativada pelo estresse

    Embora tenham o mesmo nome, herpes e herpes-zóster são doenças totalmente distintas. A primeira é provocada pelo germe HSV-1, enquanto a segunda é resultado da ação do vírus da catapora.

    A herpes-zoster é uma doença infecciosa causada pelo vírus varicela-zóster – o mesmo responsável pela catapora. Geralmente adquirido na infância – momento em que a maioria dos brasileiros manifesta as feridas clássicas e a coceira da catapora -, ele pode ficar anos dormente no organismo e “acordar” a qualquer fase da vida. Quando desperta, o vírus faz surgir dolorosas bolhas pelo corpo.

    “O vírus fica alojado em gânglios nas regiões do tórax ou do abdômen e um dia, por causa da queda da imunidade ou porque a pessoa está mais velha, ele aparece como herpes-zoster”, explica Maisa Kairalla, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia.

    Mesmo aqueles que não tiveram catapora na infância podem desenvolver a doença na vida adulta. “Não precisa ter tido a doença, basta contato com o vírus. E a população brasileira é muito exposta a ele – 94% está infectada com o varicela-zóster”, afirma.

    A doença é mais comum após os 50 anos – no entanto, o diagnóstico em jovens tem sido frequente, afirma Kairalla. O estresse, diz a médica, é um dos fatores que vem mudando o perfil daqueles afetados pela infecção e fazendo a doença aparecer cada vez mais cedo.

    “Estamos vendo a doença em mais jovens, vejo muito naqueles em pré-vestibular”, diz a médica. “Tudo o que diminui a imunidade pode levar a herpes-zoster. O estresse acorda o vírus.”

    A única maneira de prevenir a infecção, que pode ocorrer várias vezes, é por meio da vacinação. O imunizante, contudo, não é 100% eficaz, está disponível somente na rede privada e custa, em média, R$ 450.

    Tratamento

    A doença pode deixar sequelas, que vão de cicatrizes a cegueira e surdez. Também é comum a neuralgia pós-herpética, conhecida como nevralgia, uma condição dolorosa que é ativada na maioria daqueles que desenvolvem a herpes-zoster e que pode durar vários anos. A condição pode ser tão intensa que afeta movimentos simples, como vestir-se ou levantar-se da cama.

    O tratamento envolve medicamentos antivirais e analgésicos e, quanto mais cedo o paciente buscar o hospital, maior as chances de sucesso. O princípio ativo utilizado para conter a herpes-zoster, o aciclovir, evita a expansão das lesões, mas só tem efeito se tomado até 72 horas após o aparecimento dos sintomas. Por isso, rapidez na busca de ajuda é essencial.

    “Após 72 horas, não pode mais usar o remédio, então a demora no diagnóstico pode levar à perda do timing de tratamento. Quando isso acontece, trata-se a dor e as outras características, mas não a doença”, explica Kairalla.

    Gravidez

    A doença também pode aparecer na gravidez, uma vez que a gestação afeta o sistema imunológico da mãe. Os mesmos mecanismos fisiológicos para o organismo materno não rejeitar o bebê também suprimem a resposta imune do corpo – o que abre caminho para o varicela-zóster despertar.

    O tratamento na gravidez, contudo, fica comprometido. A jornalista Deborah Moratori, de 38 anos, teve a herpes-zóster há quatro anos, quando ficou grávida de seu primeiro filho.

    Por causa da gestação, ficou com medo de tomar a medicação antiviral que evita a expansão das lesões da herpes-zóster e apenas aplicava pomada nas bolhas. “É uma doença complicada porque é muito dolorosa e, com a gravidez, é pior ainda, porque você tem medo daquilo afetar o seu bebê”, relembra.

    Mas a médica infectologista Ana Gales, da Unifesp, esclarece que a droga usada para o tratamento da herpes-zóster – aciclovir ou derivados – pode ser usada na gravidez.

    “O importante é que seja sob supervisão médica, até para avaliar se for no final da gestação, quando a medicação pode passar para o leite materno”, diz.

    Prevenção

    A única forma de prevenir a herpes-zóster é por meio de uma vacina contra o varicela-zóster na vida adulta. Desde 2014, o Brasil conta com uma, a Zostavax, produzida pela Merck Sharp & Dohme Farmacêutica Ltda.

    No entanto, o produto está disponível somente na rede privada e tem indicação apenas para aqueles acima dos 50 anos. Pessoas antes dessa faixa etária, não são elegíveis para o imunizante.

    “A bula recomenda a vacina para a partir dos 50 anos e não há estudos sobre o seu efeito em pessoas abaixo dessa faixa etária. Na minha prática clínica, nunca fiz antes [vacinar uma pessoa abaixo dos 50 anos]”, afirma Kairalla.

    A vacina, contudo, não é sinônimo de proteção total. De acordo com a fabricante, o produto tem eficácia média de 70% – o que significa que três em cada dez pessoas que tomam a vacina podem vir a desenvolver a doença ainda assim.

    No entanto, ressalva Kairalla, sua administração pode evitar a neuralgia pós-herpética, a condição dolorosa que pode permanecer após a doença.

    Em outubro, os Estados Unidos aprovaram um novo imunizante, a Shingrix, produzida pela GlaxoSmithKline. A vacina também é recomendada para aqueles acima dos 50, mas promete eficácia maior contra a doença, de 90%. Não há previsão de quando o produto deve chegar no Brasil.

    Fonte: http://www.bbc.com/portuguese/brasil-42333161